Galegos
e minhotos juntos na defesa da língua comum
ABAIXO
O CASTELHANO!
Eles criaram uma associação que luta para recolocar o português como língua nacional da Galiza. Não vão tão longe que reclamem a independência, mas não gostam que lhes impinjam o castelhano.
Não duvidam que Galiza é Espanha, mas estão convencidos de que o português
devia ser a língua oficial da região, sem misturas com o castelhano. Estamos a
falar do grupo de galegos e minhotos que compõem a Associação de Amizade
Galiza-Portugal (AAG-P), fundada em 1980, com o objectivo de promover as relações
culturais entre as duas regiões. E, “como não se deve começar pela
sobremesa antes do prato principal”, a língua comum é a sua principal
reivindicação.
A
associação é basicamente composta por professores, universitários e empresários,
tendo sede em Santiago de Compostela e extensões em Ponte Vedra, Viana do
Castelo e Braga. “Queremos que o português seja recohecido como língua
nacional da Galiza, o que não implica posições políticas. Isto é uma questão
cultural”, explica ao 24Horas Ângelo Cristóvão, secretário da
AAG-P.
Na
Galiza existem actualmente duas línguas oficiais, o castelhano e o galego, que
no fundo é o português. “As diferenças são mínimas. É apenas no léxico
de algumas palavras. É como o brasileiro para o português”, diz o empresário
de 38 anos, residente em Compostela.
Questão de dignidade
Para
a AAG-P, o objectivo em Espanha, desde a ditadura de Franco até hoje, é
“suprimir o português”. “Tudo é em castelhano. Uma pessoa não pode
receber educação na sua língua”, criticam os defensores do português. Ângelo
Cristóvão faz notar que, para se entender esta luta, é preciso viver
subjugado: “Trata-se de dignidade pessoal e social. Pode ser difícil a um
português entender isto porque nunca foi impedido de falar a sua língua em público,
como acontecia na Galiza. Ainda hoje é politicamente incorrecto usar o português”.
Este dirigente lembra que o português
ou, melhor, o galaico-português, era a língua comum à Galiza e Portugal até
à Idade Média, época em que Espaha dominou a região galega. “É uma questão
de lusofonia. Participámos nos acordos ortográficos de 1986 e 1990 a convite
do Estado Português. E só não integramos a Comunidade de Países de Língua
Portuguesa porque não somos um Estado”.
Ângelo Cristóvão reconhece que na
Galiza pode não haver sensibilização das massas para esta questão, mas a
AAG-P faz tenção de prosseguir a sua luta. “Publicáos estudos, muitos
feitos por estudiosos portugueses, temos um boletim e actuamos na vida comum. Na
minha empresa, procuro ter tudo em português. Para mais, as trocas comerciais
entre a Galiza e Portugal crescem todos os anos. Faz todo o sentido usar o
português”, adianta o secretário da associação.
(Artigo
de David Mandim publicado no jornal 24HORAS, segunda-feira, 30 de junho
de 2003).
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