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III SEMINÁRIO
DE POLÍTICAS
LINGUÍSTICAS "25 ANOS DE ATIVIDADE CÍVICA, INVESTIGAÇÃO E DISCUSSÃO SOBRE A LÍNGUA NACIONAL: O CONTRIBUTO DE ANTÓNIO GIL" |
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O CONTRIBUTO DE ANTÓNIO GIL À ASSOCIAÇOM GALEGA DA LÍNGUA RESUMO Maria do Carmo Henríquez Salido A história
interna dos colectivos e grupos, que se organizam para defender ou promover
qualquer projecto, ideia, objectivo ou ideal, é uma história desconhecida
em grande medida, que nunca ou quase nunca se difunde, porque a maior parte
das vezes os próprios interessados são condenados ao ostracismo, ao silêncio
'ergueito', por serem pessoas 'vivas', críticas, em desacordo com o poder
estabelecido (seja este político, cultural, institucional ou mesmo da própria
organização...), que gostam do debate, de confrontar ideias, de decidir e
estudar cada circunstância, cada caso concreto e estratégias a seguir. A
história interna da «Associaçom Galega da Língua», como a história de
outros colectivos ou grupos culturais, políticos, sindicais e sociais,
é uma história de amizades, de camaradagem, de alegrias e tristezas,
de triunfos e de fracassos, de vivências e esperanças, mas também
de traições, de silêncio e ocultação do trabalho ingente feito
polos outros, como é o caso de ANTÓNIO GIL, a quem conheci no verão do
ano 1978, na Corunha, por motivo de fazer parte do júri que examinava os
futuros professores adidos de 'Instituto de Enseñanza Media' da disciplina
de 'Lengua y Literatura Española', às quais concorria o nosso
sociolinguista.
Não tardei muito tempo em voltar a ver ao nosso amigo e colega: foi no verão
do ano 1980 na cidade de Santiago de Compostela, o momento em que estava
preparando uma nova edição de um livro de Língua Galega para
Everest. Coincidimos num desses bares próximos à antiga Faculdade de
Filologia, e já nesse momento manifestou a necessidade de «organizar-nos»,
«formar um colectivo», «fundar uma associação cultural», pois as notícias
que chegavam faziam pressagiar tempos duros para a língua e cultura da
Galiza e, nomeadamente, no que diz respeito às futuras propostas das normas
ortográficas e morfológicas do galego.
No verão do ano 1981, na cidade da Corunha cinco pessoas (Xavier Alcalá,
Joám Carlos Rábade, Manuel Miragaia, António GIl e José Maria
Monterroso-Devesa), acordam inciar os trâmites para legalizar a Associaçom
Galega da Língua, e vai ser António Gil o responsável material pola
efectivação de todos os documentos e «papelada» necessários para
conseguir que este projecto for uma realidade. Como fruto desta imensa
actividade, o acto fundacional da AGAL terá lugar o dia 31 de Outubro de
1981 num local situado no seminário de Belvis. Aparecem como sócios (e sócias)
fundadores um total de 94 pessoas: os cinco primeiros sócios (seguiu-se a
ordem alfabética) foram Xavier Alcalá, Ma. Dores Arribe, José Manuel
Covas, Ma. do Carmo Henríquez e José J. Feijó Cid e os números 90 a
94 correspondiam a Aurora Marco Lôpez, Ma. Sabela Pereira Barros, Telma
Naveira Roca, Sara Sanches Pinheiro e Ana Monteserim Cáncio. O Secretário
era Joám Carlos Rábade Castinheira e o presidente Xavier Alcalá. Se bem
nesta primeira fase de vida a associação António Gil optou por ficar à
margem de certas responsabilidades, a partir de Novembro do ano 1982 será o
segundo Secretário da Associaçom, labor que irá acompanhado de outras
muitas tarefas, de que falarei na minha exposição. Cumpre lembrar que o
domicílio de António Gil passou a ser o domicílio social e fiscal da
AGAL, até que no ano 1984 se decidiu passá-lo para o meu, pois as circunstâncias
aconselhavam que o domicílio estivesse no lugar em que ia realizar-se o I
Congresso Internacional da Língua Galego-Portuguesa na Galiza (Setembro de
1984).
No nosso trabalho propomo-nos fazer um relatório sobre a presença de António
Gil na vida e publicações da AGAL: desde o momento em que junto
com José Luís Fontenla, Joám Carlos Rábade, Jurjo Torres, Claúdio Lôpez
Garrido, eu própria, até um total de 20 pessoas no verão do ano 1982
nos manifestámos ante a Real Academia Galega (para protestar polas normas
que 'manu militari' se iam impor por Decreto), a assistência a
numerosos encontros de sociolinguistas realizados em Barcelona (1983), em
Getxo (1983), em Lleida (1984), em Compostela (1984), na organização dos
cinco congressos e da edição das Actas, na organização de vários
encontros de sociolinguistas na Galiza, na elaboração e redacção da
revista Agália (e nomeadamente no apartado de <<Documentaçom e
Informaçom>> que, em geral, a gente não gostava de fazer por ser um
trabalho laborioso e pouco reconhecido), a presença de António Gil em
actos celebrados na rua, em actos organizados pola Direcção Geral de Política
Linguística, no Congresso de Filologia Românica (em que fôramos excluídos
polos organizadores em razão da <<normativa>> utilizada), etc.,
até ao ano inverno de 1991, momento em que deixa de fazer parte do Conselho
de Redacção da Revista Agália e, também, começa o afastamento de António
Gil da AGAL. Além de darmos notícias de carácter biográfico, comentaremos com brevidade alguns dos estudos e contributos do autor que, por motivos de tempo e estarem referenciados no programa, teremos que reduzir a breves apontamentos, cousa que não acontece com os dados biográficos, a maior parte deles ignorados pola maioria dos presentes e, acaso, esquecidos polo próprio protagonista da nossa história. |