|
0. ENTRADA
Conheço Lluís Aracil desde há quase séculos.
Não é piada. Lembro, sim, o momento em que por primeira vez nos
“contemplámos” (que diria o amigo e saudoso Manuel Maria)
em carne mortal; mas suspeito que já dantes conversáramos nalgum lugar
indescrito. Aquela primeira vez acho que fora durante as terceiras ou
talvez durante as quartas “Xornadas do Ensino”, na
“Mesa Redonda”, tradicional então durante as
“Xornadas”, sobre o situação das Comunidades Linguísticas
não castelhanas no Reino da Espanha. (Tenho de advertir que nem
“Comunidades Linguísticas” nem “Reino da
Espanha” apareciam no enunciado da atividade, mas
“linguas” e “Estado espanhol”: Preferências
curiosas...). Eu, nessa ocasião, ousei perguntar se o “caso
valenciano” poderia comparar-se com o “caso galego”,
nomeadamente a respeito da formalização da língua.
Daquela UCD, AP e a extrema direita
espanhola estavam a argalhar no País Valenciano a “criação”
duma nova língua, a valenciana, diversa da catalã. Na Galiza
espanhola essa criação achava-se muito avançada: Poucos
duvidavam (e continuam a não duvidar, cada vez duvidam menos...)
da existência duma língua galega, mais ou menos como a explicava
Ramón Piñeiro: Pois que hai unha área lingüística
galego-luso-brasileira, na que cada unha das tres unidades ten a sua
personalidade cultural propia, non sería normal que esas unidades
culturais se descoñecesen entre sí. No caso galego, durante séculos
silenciado, ese intercoñecemento resulta necesario e será
estimulante (in Silêncio ergueito, p. 239).
Aracil respondeu afirmativamente, não lembro bem em que sentido.
Interveio também Francisco Rodríguez quem nem afirmou nem negou, mas
disse num sentido diverso ao seguido por Lluís. Confesso que tenho
esquecido quase todo o pormenor da anedota, quer dizer, tudo o anedótico
e apenas lembro o fundamental: Foi então que se iniciou a minha
amizade com Lluís Aracil; digo melhor, iniciamo-la ambos os dous,
“ámbolos”, como preferem escrever os isolacionistas... (mas
que é o que é “ámbolos”? Tem qualquer cousa a ver com
“êmbolos”? Fazia também parte da “Mesa
redonda” Tásio Erkizia, já então (acho) vereador na Câmara
Municipal de Bilbo. Seja como for, acabada a “Mesa”, fomos
jantar na residência dos Franciscanos, em Compostela, muito próxima
da sede das “Xornadas”. Jantámos juntos Lluís, Tásio e
eu. E falámos de tudo ou de quase tudo relacionado com o tratado na
“Mesa Redonda”. Depois foram conversas sobretudo telefónicas
até às reuniões de “Iruinean Sortua”, em
Pamplona (nos primeiros dias de Julho de 1983), em Lleida (no fim de
Outubro e início de Novembro) e a última em Compostela (na primavera
de 1984).
Getxo e Ourense serviram para firmar a
nossa amizade, respetivamente nos Congressos Internacionais de
Sociologia de Línguas Minorizadas e da Língua Galego-Portuguesa na
Galiza. Não lembro o ano, mas seria depois desses acontecimentos
ou talvez antes que participei, a pedido de Lluís, numa sessão
do “Seminari de Sociociolingüística” e numa Mesa Redonda
sobre a situação do “galego”, na Universitart de
Barcelona. Também convidado por Lluís, comuniquei, nas seções
de Sociolinguística ou Sociologia da Linguagem dos Congressos de
Sociologia em Saragoça e Donosti, qual é, a meu ver, a situação
da Comunidade Lusófona na “Comunidad Autónoma de Galicia”.
Lamento não precisar os anos e as datas...
Tivemos muitas mais ocasiões em
que não me detenho. Apenas fique o dito para evidenciar que no
que vou expor não sou nada imparcial, embora sim esteja certo e
acertado. Não obstante, sobeja advertir que esta minha exposição
apenas é leitura sumária e muito pessoal de alguns textos de Lluís V.
Aracil aplicáveis à Galiza. Ainda mais, da aplicação que
vou apontar apenas eu sou o responsável.
1. TEXTOS PUBLICADOS NO PORTUGUÊS
DA GALIZA (ESPANHOLA)
1.1. “Sociolinguística: Revolução
e paradigma” É artigo publicado
em O Ensino
núm. 6 (1983), pp. 49-57. O texto original inglês foi dado a lume
em Sociolinguistics Newsletter
, 9: 2 (Verão de 1978). Os tradutores fomos J. R. Rama e eu próprio,
mas o autor reveu a tradução.
1.2. “A sociolinguística da experiência
e da ação: O modelo galego”
Foi palestra proferida na Universidade de Compostela em Dezembro de 1978
e publicada em Problemática das línguas
sen normalizar. Situación do galego e alternativas; AS-PG 1980.
Posteriormente reeditou-se em Temas de O Ensino núms. 4-5 (1985), pp.
127-138. Do texto saliento alguns parágrafos dos apartados 3. “O
processo galego. Difusão e promoção do idioma galego.
Impulso e direção”, 5. “O equívoco da diglossia
desde Ferguson”, 8. “A readaptação da estrutura aos
novos usos. Fixação e cultivação” e 11. “O
modelo galego. Aprender da própria experiência”.
1.3. “Questionário de História contemporânea” Foi conferência-comunicação
ao I Congresso Internacional da Língua Galego-Portuguesa na Galiza
(Ourense, Setembro de 1984), que editaram C. C. Morám Fraga e J. Mato
Fondo no núm. 17 (Primavera de 1989) da revista Agália núm. 5-15.
2.1. Livros:
2.1.1. De Papers de Sociolingüística
(Edició i presentació d’Enric Montaner. Prefaci de Pierre
Achard. Edicions de
La Bromera
, Col. Els Orígens núm. 9, Barcelona 1982, 249 pp.) mormente os capítulos-artigos
seguintes:
a) «El bilingüisme com a mite»
b) «Substitució lingüística»
c) Educació i sociolingüística»
2.1.2. De Dir la realitat (Edicions Països
Catalans, Barcelona 1983, 301 pp.) os capítulos-artigos seguintes:
a) «El racionalisme oligàrquic»
b) L’estandardització del català
moderne en justícia a Josep Calveras»
c) «Sobre la situació minoritària»
d) «Romanística i sociolingüística»
2.2. Artigos:
2.2.1. «“Lengua
nacional”: ¿Una crisis sin crítica?» in Hizkuntza
Minorizatuen Soziologia. Sociología de Lenguas Minorizadas
(Argitaratzaileak: José Ignacio Ruiz de Olabuénaga, J. Agustín
Ozamiz), Ttattalo S.A., Donostia, 1986, pp. 443-458. É versão da
comunicação de igual título apresentada ao Simpósio
“Innovación en la enseñanza de la lengua y la
literatura” (Madrid, Junho de 1984), publicada nas Actas,
Ministerio de Educación y Ciencia, Subdirección General de Formación
del Profesorado, Centro de Publicaciones, Madrid, 1987, pp. 215-228.
2.2.2. «Euskal-Herria i Sociolingüística:
Dues incerteses i una aposta (A propòsit d’un llibre recent
[José M.ª Sánchez Carrión, “Txepetx”, Un futuro para
nuestro pasado ] in Límits. Revista d’assaig i d’informació
sobre les ciències del llenguatge núm. 4 (Maio de 1988). Disponho
também duma versão em castelhano, dactilografada.
3. SUMÁRIO E CONCLUSÃO
|