COLECTIVOS LUSO-REINTEGRACIONISTAS REPRESENTAM A GALIZA NO FORO SOCIAL EUROPEU DE LONDRES

GALIZA -15 de Outubro de 2004

             A Associação de Amizade Galiza-Portugal, a Associaçom Galega da Língua e o Movimento Defesa da Língua representam a Galiza no Forum Social Europeu que se celebra em Londres até ao vindeiro domingo dezassete. As organizações galegas participam neste encontro ao mesmo tempo que colectivos de defesa da língua de Euscádi, Catalunha, Gales e o povo curdo, para reclamar os direitos linguísticos de todos eles no quadro da União Europeia.

             O representante dos três colectivos luso-reintegracionistas - única representação do nosso país no F.S.E. - participa na sexta-feira, quinze de Outubro, na reunião sobre Identidade e Direitos Linguísticos na Europa ("Identity and Language Rights in Europe"). Neste relatório, que se desenvolve no Alexandra's Palace da capital britânica, apresentar-se-á um breve resumo da situação linguística do nosso país e dos problemas que enfrenta o português galego no quadro legal espanhol, além dos projectos das três organizações para ultrapassar esta situação. Da mesma forma, os representantes dos movimentos de normalização linguística de Euscádi, Catalunha, Gales e o Curdistão explicarão as dificuldades e possibilidades das suas línguas no âmbito da União Europeia.

             Igualmente, as três organizações acordaram assinar um comunicado conjunto no que, todas as entidades de defesa da língua participantes no encontro, reclamam das autoridades da U.E. acções eficazes na defesa dos direitos linguísticos de todos os seus habitantes, ao tempo que reconhecem oficialmente a unidade da língua portuguesa na Galiza e dos diferentes dialectos do catalão. Também se defende, neste texto, que seja permitido a todos os cidadãos comunitários o relacionamento com as administrações da U.E. nas suas línguas respectivas.

             Do mesmo jeito, os três colectivos galegos estarão representados na manifestação que vai ter lugar em Londres o próximo domingo, dezassete de Outubro, presidida por uma faixa na que poderá ler-se, em vários idiomas: "Todas as línguas, oficiais numa Europa livre". 

 

"PONÊNCIA GALEGA" LIDA NA REUNIÃO SOBRE "IDENTIDADE E DIREITOS LINGUÍSTICOS NA EUROPA"

15 DE OUTUBRO DE 2004

          "Na Comunidade Autónoma da Galiza, no Estado Espanhol, existe actualmente uma situação de violação dos direitos linguísticos. Isso era assim certamente sob a ditadura do Generalíssimo Franco, mas ainda continua sob a actual monarquia constitucional, que finge reconhecer o direito dos cidadãos a empregar a sua língua "própria" mas na prática utiliza uma série de estratégias para lho negar.

          Uma destas estratégias foi levada a efeito em 1982 por meio dum Decreto (ou seja não uma legislação à que se chegara democraticamente) que impõe o emprego oficial na administração e o ensino duma norma "galega" deliberadamente ligada ao espanhol na ortografia e a morfologia, e arredada
do português, que é a forma moderna internacional da nossa língua. Tratava-se de criar um novo "idioma" totalmente independente do português (de facto uma espécie de crioulo ou mesmo “pidgin”) que ficaria submetido ao espanhol e confinado dentro das fronteiras do Estado Espanhol.  Mas ainda aqueles que intentam empregar este "crioulo galego" na vida pública topam-se com que os seus direitos linguísticos são mínimos ou totalmente ignorados pelos administradores do Estado: o “crioulo” é utilizado para fins não essenciais
ou frívolos, reservando-se o idioma espanhol para algo "sério".  De facto, os funcionarios não estão constitucionalmente obrigados a falar "galego".

          Naturalmente muitos de nós rejeitamos e denunciamos esta burla, e insistimos no uso devido do português galego, a todos os níveis da sociedade. O português já é de facto ensinado nas escolas de idiomas e por grupos ativos
que o promovem, mas sem apoio oficial e com a inimizade da Administração (os ensinantes correm o risco de perder os seus trabalhos se optam pelo português galego nas suas aulas, sendo alcunhados de "lusistas").

          Contra isto, nós propomos um sistema educativo que seja independente do "oficial", o livre movimento de informação e pessoas através da fronteira com o norte de Portugal (com acesso aos meios informativos e os produtos portugueses) e o reconhrcimento legal do noso direito ao emprego normal da língua portuguesa a todos os níveis na Galiza."

Londres, 15 de Outubro de 2004

(Assinado:)

Associação de Amizade Galiza-Portugal (AAG-P), Associaçom Galega da Língua (AGAL), Movimento de Defesa da Língua (MDL)

ENGLISH TRANSLATION

          "In the Autonomous Community of Galiza, within the Spanish State , there is at present a situation of violation of linguistic rights. This was certainly so under Generalissimo Franco's dictatorship, but it still goes on under the present constitutional monarchy, which pays lip service to the right of citizens to use their "own" language but in practice uses a number of strategies to deny it.

          One of these strategies was put in place in 1982 by means of a Decree (i.e. not a piece of legislation arrived at democratically) which imposes the official use in administration and education of a standard "Galizan" deliberately linked to Spanish in spelling and morphology, and cut off from Portuguese, which is the modern international form of our language.  The idea was to create a new "language" totally independent from Portuguese (in fact a sort of creole or pidgin) which would remain subservient to Spanish and be confined within the borders of the Spanish State .  But even those who attempt to use this "Galizan" pidgin in public life find that their linguistic rights are minimal or entirely ignored by the administrators of the State: the pidgin is used for non-essential or frivolous purposes, reserving the Spanish language for anything "serious".  In fact, civil servants are under no constitutional obligation to speak "Galizan".

           Naturally many of us reject and denounce this travesty, and insist on the proper use of Galizan Portuguese, at all levels of society.  Portuguese is in fact already being taught in language schools and by active groups promoting it, but without official support and with the enmity of the Administration (teachers risk losing their jobs if they opt for Galizan Portuguese in their classes, being branded "lusistas").

          Against this, we aim at an educational system which is independent of the "official" one, the free flow of information and persons across the border with Northern Portugal (with access to Portuguese media and products) and the legal recognition of our right to the normal use of the Portuguese language at all levels in Galiza."

London , October 15, 2004

(Signed:)

Associação de Amizade Galiza-Portugal (AAG-P), Associaçom Galega da Língua (AGAL), Movimento de Defesa da Língua (MDL).



TRADUCCIÓN ESPAÑOLA

          "En la Comunidad Autónoma de Galiza, en el Estado Español, existe actualmente una situación de violación de los derechos lingüísticos.  Ello era así ciertamente bajo la dictadura del Generalísimo Franco, pero aún continúa bajo la actual monarquía constitucional, que aparenta reconocer el derecho de los ciudadanos a emplear su lengua "propia" pero en la práctica utiliza una serie de estrategias para negárselo.

          Una de estas estrategias fue puesta en práctica en 1982 por medio de un Decreto (o sea no una legislación a la que se llegara democráticamente) que impone el empleo oficial en la administración y la enseñanza de una norma "gallega" deliberadamente vinculada al español en la ortografía y la morfología, y separada del portugués, que es la forma moderna internacional de nuestra lengua.  Se trataba de crear un nuevo "idioma" totalmente independiente del portugués (de hecho una especie de criollo o incluso “pidgin”) que permanecería supeditado al español y confinado dentro de las fronteras del Estado Español.  Pero incluso aquellos que intentan emplear este "criollo gallego" en la vida pública se encuentran con que sus derechos lingüísticos son mínimos o totalmente ignorados por  los administradores del Estado: el “criollo” es utilizado para fines no esenciales o frívolos, reservándose el idioma español para algo "serio".  De hecho, los funcionarios no están constitucionalmente obligados a hablar "gallego".

          Naturalmente muchos de nosotros rechazamos y denunciamos esta burla, e
insistimos en el debido uso del portugués gallego, a todos los niveles de la sociedad. El portugués ya es de hecho enseñado en escuelas de idiomas y por grupos activos que lo promocionan, pero sin apoyo oficial y con la enemistad de la Administración (los enseñantes corren el riesgo de perder sus trabajos si
optan por el portugués gallego en sus clases, siendo motejados de "lusistas").

          Contra esto, nos proponemos un sistema educativo que sea independiente del "oficial", el libre flujo de información y personas a través de la frontera con el norte de Portugal (con acceso a los medios informativos y los productos portugueses) y el reconocimiento legal de nuestro derecho al empleo normal de la lengua portuguesa a todos los niveles en Galiza."

Londres, 15 de Octubre de 2004

(Firmado:)

Associação de Amizade Galiza-Portugal (AAG-P), Associaçom Galega da Língua (AGAL), Movimento de Defesa da Língua (MDL)

TODAS AS LÍNGUAS, EM IGUALDADE NUMA EUROPA LIVRE


         
Uma das consequências nefastas da globalização neoliberal é tanto a diminuição da diversidade linguística e cultural como o desprezo dos dereitos linguísticos de distintos povos. No momento em que uma língua desaparece ou entra em fase de extinção, desaparece toda essa riqueza, toda essa diversidade. A fricção natural entre línguas produz situações de dependência, devido à concorrência entre as comunidades linguísticas. O efeito da globalização neoliberal, restringe cada vez mais o reconhecimento dos dereitos linguísticos de diversas zonas da Europa, assim como das suas nações sem estado.

          A luta e o trabalho por garantizar os direitos linguísticos e a normalização linguística destes povos está estreitamente relacionado fundamentalmente com o trabalho dos movimentos sociais. Mas ao mesmo tempo, cada vez mais, com este movimento que luta contra a globalização neoliberal e por um mundo melhor. Porque é o movimento anti-globalização o que está a delinear a defesa da diversidade cultural e linguística, enquanto a globalização condena centos de línguas à desaparição.

          A construção da Europa que o rascunho do pacto constitucional Europeu propõe está totalmente dentro dessa lógica globalizadora e uniformizante, sem ter em conta os direitos linguísticos de amplas zonas da Europa e das nações sem estado. A elaboração do rascunho constitucional foi feito de modo impositivo, dando as costas aos dereitos e necessidades linguísticas dessas cidadãs e cidadãos. Não existiu um processo participativo e democrático de debate onde poder participar. O pacto constitucional foi feito por caminhos não democráticos e totalmente à parte da participação cidadã. Esta construção europeia está baseada exclusivamente  nos interesses políticos e económicos dos estados.

          A Europa, que está a ser construída em frente de nós, é a Europa dos mercadores. Defrontada aos interesses das/os trabalhadoras/es e dos povos, contrária às culturas populares e ao desenvolvimento de todas as línguas europeias em igualdade. Este pacto constitucional supõe a unidade dos estados mas o cárcere das línguas e culturas das nações sem estado.

          Os enunciados grandiloquentes quanto às línguas e às culturas são abundantes nesse rascunho, mas definitivamente os direitos de umas línguas estão já por cima dos de outras. Umas línguas são declaradas como oficiais e outras de segunda categoria. Outras não serão consideradas nem como língua. Portanto, este tratado vai ser discriminatório.

          As organizações abaixo-assinantes fazemos uma chamada àquelas organizações que trabalham por um mundo melhor, pela normalização das línguas minorizadas, a todos aqueles movimentos sociais, partidos, sindicatos que estão a fazer parte das lutas sociais anti-globalização, para que lutemos também por preservar a riqueza linguística que existe na Europa reivindicando os dereitos linguísticos de todos e todas e a oficialidade de todas as línguas. Para que todas as línguas europeias vivam em igualdade e dessa forma preservar às gerações vindouras este património.

          Por todo isto, reclamamos a oficialidade do catalão e euscara na União Europeia, a todos os efeitos, assim como o reconhecimento da unidade linguística galego-portuguesa e o reconhecimento de todas estas línguas como línguas nacionais nas suas respectivas comunidades. Assim, defendemos o direito de toda a cidadania europeia a relacionar-se na sua língua nacional com as instituições europeias, independentemente do lugar em que se encontrar.

(Assinado:)

Euskal Herrian Euskaraz (Euskal Herria)

Movimento Defesa da Língua, Associação de Amizade Galiza-Portugal, Associaçom Galega da Língua (Galiza)

CAL (Catalunya)

CIMUNED (Cymru/Wales)

 ALL LANGUAGES EQUAL BEFORE A FREE EUROPE


           One of the damages caused by the Neoliberal globalization is the reduction of linguistic diversity and the oppression of the linguistic rights in different countries. Every time a language disappears or it is put on the verge of disappearing, it also disappears all that richness, all that diversity. The linguistic contact leads to dependency situations as a consequence of the competition among linguistic communities. Globalization narrows more and more linguistic rights of citizens from nations without state and from many regions in Europe . This situation has been repeating constantly along the history, but globalization has multiplied it and it has become it huge fast.

          The defence of linguistic rights and linguistic normalization is closely related to civil movements work and fight.
It binds more and more with this movement that it is rising up against globalization and in favour of a new better world. Because, inside this movement, they are fighting for the defence of linguistic diversity. Meanwhile Neoliberal globalization condemns to death more and more languages.

          The European construction made by the plans of the European Constitution follows this globalization’s logic. It is not taken into account the existence of oppressed linguistic rights of nations without state and large regions. They have turned their back on the rights and necessities of the citizens of these regions. On one side, the draft of the constitution has been presented without giving the citizens any right to discuss about it. So, it has been consequently developed in an imperative way. It has been done completely against the democratic way, completely against the participation of European citizens. This construction is being done following the interest of the States. It is driven by the politic and economic interests of them.

          They are building in front of our eyes the Europe of the Merchants. This Europe does not join with oppressed countries and workers. It is absolutely opposed to the development of the cultures and languages in equality. This agreement represents the solidarity among the states and the jail for the countries and cultures without state.

          The Constitution has big sounding statements on languages and cultures, but it puts some over the others. Some languages will be named official and the other will be considered second class languages. There will another group that will not be considered even as a language. Consequently it will be discriminatory.

          We want to make a call to those groups who seek the normalization of minorized languages for a better world; civil movements, parties and trade-unions, just to work all together in favour of the linguistic diversity. This diversity still exists nowadays in Europe , so we must ask the fully official status of all languages, for the linguistic rights of all citizens, so that all languages live in equality. So that the coming generations receive this patrimony.

          We also demanded, the officially in the European Union of the languages Catalan, Basque, Welsh, for any pourpose, the recognisance of the linguistic unity Galego-Portuguese and the recognisance as national languages in their respective communities. In this way, we defend the right of European citizenship of each linguistic community so that relations with the European institutions are made in their respective national languages, regardless where they are.

(Signed:)


EUSKAL HERRIAN EUSKARAZ (Euskal Herria)
MOVIMENTO EN DEFENSA DA LINGUA, ASSOCIAÇÃO DE AMIZADE GALIZA-PORTUGAL, ASSOCIAÇOM GALEGA DA LÍNGUA (Galiza)
CAL (Catalunya)

CIMUNED(Cymru/Wales)