COLECTIVOS LUSO-REINTEGRACIONISTAS REPRESENTAM A GALIZA NO FORO SOCIAL EUROPEU DE LONDRES
GALIZA
-15 de Outubro de 2004
"PONÊNCIA GALEGA" LIDA NA REUNIÃO SOBRE "IDENTIDADE E DIREITOS LINGUÍSTICOS NA EUROPA"
15 DE OUTUBRO DE 2004
"Na Comunidade Autónoma da Galiza, no Estado Espanhol, existe actualmente
uma situação de violação dos direitos linguísticos. Isso era assim
certamente sob a ditadura do Generalíssimo Franco, mas ainda continua sob a
actual monarquia constitucional, que finge reconhecer o direito dos cidadãos a
empregar a sua língua "própria" mas na prática utiliza uma série
de estratégias para lho negar.
Uma destas estratégias
foi levada a efeito em 1982 por meio dum Decreto (ou seja não uma legislação
à que se chegara democraticamente) que impõe o emprego oficial na administração
e o ensino duma norma "galega" deliberadamente ligada ao espanhol na
ortografia e a morfologia, e arredada
do português, que é a forma moderna internacional da nossa língua. Tratava-se
de criar um novo "idioma" totalmente independente do português (de
facto uma espécie de crioulo ou mesmo “pidgin”) que ficaria submetido ao
espanhol e confinado dentro das fronteiras do Estado Espanhol. Mas ainda
aqueles que intentam empregar este "crioulo galego" na vida pública
topam-se com que os seus direitos linguísticos são mínimos ou totalmente
ignorados pelos administradores do Estado: o “crioulo” é utilizado para
fins não essenciais
ou frívolos, reservando-se o idioma espanhol para algo "sério".
De facto, os funcionarios não estão constitucionalmente obrigados a falar
"galego".
Naturalmente muitos de nós
rejeitamos e denunciamos esta burla, e insistimos no uso devido do português
galego, a todos os níveis da sociedade. O português já é de facto
ensinado nas escolas de idiomas e por grupos ativos
que o promovem, mas sem apoio oficial e com a inimizade da Administração (os
ensinantes correm o risco de perder os seus trabalhos se optam pelo português
galego nas suas aulas, sendo alcunhados de "lusistas").
Contra isto, nós
propomos um sistema educativo que seja independente do "oficial", o
livre movimento de informação e pessoas através da fronteira com o norte de
Portugal (com acesso aos meios informativos e os produtos portugueses) e o
reconhrcimento legal do noso direito ao emprego normal da língua portuguesa a
todos os níveis na Galiza."
(Assinado:)
Associação
de Amizade Galiza-Portugal (AAG-P), Associaçom Galega da Língua (AGAL),
Movimento de Defesa da Língua (MDL)
ENGLISH
TRANSLATION
One of these strategies
was put in place in 1982 by means of a Decree (i.e. not a piece of legislation
arrived at democratically) which imposes the official use in administration and
education of a standard "Galizan" deliberately linked to Spanish in
spelling and morphology, and cut off from Portuguese, which is the modern
international form of our language. The idea was to create a new
"language" totally independent from Portuguese (in fact a sort of
creole or pidgin) which would remain subservient to Spanish and be confined
within the borders of the
Naturally many of
us reject and denounce this travesty, and insist on the proper use of Galizan
Portuguese, at all levels of society. Portuguese is in fact already being
taught in language schools and by active groups promoting it, but without
official support and with the enmity of the Administration (teachers risk losing
their jobs if they opt for Galizan Portuguese in their classes, being branded
"lusistas").
Against this, we aim at
an educational system which is independent of the "official" one, the
free flow of information and persons across the border with Northern Portugal
(with access to Portuguese media and products) and the legal recognition of our
right to the normal use of the Portuguese language at all levels in
Galiza."
(Signed:)
Associação de Amizade Galiza-Portugal (AAG-P), Associaçom Galega da Língua (AGAL), Movimento de Defesa da Língua (MDL).
"En
Una de estas estrategias
fue puesta en práctica en 1982 por medio de un Decreto (o sea no una legislación
a la que se llegara democráticamente) que impone el empleo oficial en la
administración y la enseñanza de una norma "gallega" deliberadamente
vinculada al español en la ortografía y la morfología, y separada del portugués,
que es la forma moderna internacional de nuestra lengua. Se trataba de
crear un nuevo "idioma" totalmente independiente del portugués (de
hecho una especie de criollo o incluso “pidgin”) que permanecería
supeditado al español y confinado dentro de las fronteras del Estado Español.
Pero incluso aquellos que intentan emplear este "criollo gallego" en
la vida pública se encuentran con que sus derechos lingüísticos son mínimos
o totalmente ignorados por los administradores del Estado: el
“criollo” es utilizado para fines no esenciales o frívolos, reservándose
el idioma español para algo "serio". De hecho, los funcionarios
no están constitucionalmente obligados a hablar "gallego".
Naturalmente muchos de
nosotros rechazamos y denunciamos esta burla, e
insistimos en el debido uso del portugués gallego, a todos los niveles de la
sociedad. El portugués ya es de hecho enseñado en escuelas de idiomas y por
grupos activos que lo promocionan, pero sin apoyo oficial y con la enemistad de
optan por el portugués gallego en sus clases, siendo motejados de
"lusistas").
Contra esto, nos
proponemos un sistema educativo que sea independiente del "oficial",
el libre flujo de información y personas a través de la frontera con el norte
de Portugal (con acceso a los medios informativos y los productos portugueses) y
el reconocimiento legal de nuestro derecho al empleo normal de la lengua
portuguesa a todos los niveles en Galiza."
Londres,
15 de Octubre de 2004
(Firmado:)
Associação
de Amizade Galiza-Portugal (AAG-P), Associaçom Galega da Língua (AGAL),
Movimento de Defesa da Língua (MDL)
TODAS
AS LÍNGUAS,
Uma das consequências
nefastas da globalização neoliberal é tanto a diminuição da diversidade
linguística e cultural como o desprezo dos dereitos linguísticos de distintos
povos. No momento em que uma língua desaparece ou entra em fase de extinção,
desaparece toda essa riqueza, toda essa diversidade. A fricção natural entre línguas
produz situações de dependência, devido à concorrência entre as comunidades
linguísticas. O efeito da globalização neoliberal, restringe cada vez mais o
reconhecimento dos dereitos linguísticos de diversas zonas da Europa, assim
como das suas nações sem estado.
A luta e o trabalho por
garantizar os direitos linguísticos e a normalização linguística destes
povos está estreitamente relacionado fundamentalmente com o trabalho dos
movimentos sociais. Mas ao mesmo tempo, cada vez mais, com este movimento que
luta contra a globalização neoliberal e por um mundo melhor. Porque é o
movimento anti-globalização o que está a delinear a defesa da diversidade
cultural e linguística, enquanto a globalização condena centos de línguas à
desaparição.
A construção da Europa
que o rascunho do pacto constitucional Europeu propõe está totalmente dentro
dessa lógica globalizadora e uniformizante, sem ter em conta os direitos linguísticos
de amplas zonas da Europa e das nações sem estado. A elaboração do rascunho
constitucional foi feito de modo impositivo, dando as costas aos dereitos e
necessidades linguísticas dessas cidadãs e cidadãos. Não existiu um processo
participativo e democrático de debate onde poder participar. O pacto
constitucional foi feito por caminhos não democráticos e totalmente à parte
da participação cidadã. Esta construção europeia está baseada
exclusivamente nos interesses políticos e económicos dos estados.
A Europa, que está a ser
construída em frente de nós, é a Europa dos mercadores. Defrontada aos
interesses das/os trabalhadoras/es e dos povos, contrária às culturas
populares e ao desenvolvimento de todas as línguas europeias
Os enunciados
grandiloquentes quanto às línguas e às culturas são abundantes nesse
rascunho, mas definitivamente os direitos de umas línguas estão já por cima
dos de outras. Umas línguas são declaradas como oficiais e outras de segunda
categoria. Outras não serão consideradas nem como língua. Portanto, este
tratado vai ser discriminatório.
As organizações
abaixo-assinantes fazemos uma chamada àquelas organizações que trabalham por
um mundo melhor, pela normalização das línguas minorizadas, a todos aqueles
movimentos sociais, partidos, sindicatos que estão a fazer parte das lutas
sociais anti-globalização, para que lutemos também por preservar a riqueza
linguística que existe na Europa reivindicando os dereitos linguísticos de
todos e todas e a oficialidade de todas as línguas. Para que todas as línguas
europeias vivam em igualdade e dessa forma preservar às gerações vindouras
este património.
Por
todo isto, reclamamos a oficialidade do catalão e euscara na União Europeia, a
todos os efeitos, assim como o reconhecimento da unidade linguística
galego-portuguesa e o reconhecimento de todas estas línguas como línguas
nacionais nas suas respectivas comunidades. Assim, defendemos o direito de toda
a cidadania europeia a relacionar-se na sua língua nacional com as instituições
europeias, independentemente do lugar em que se encontrar.
Euskal Herrian Euskaraz (Euskal Herria)
Movimento
Defesa da Língua, Associação de Amizade Galiza-Portugal, Associaçom Galega
da Língua (Galiza)
CAL
(Catalunya)
CIMUNED
(Cymru/Wales)
One of the damages caused by the Neoliberal globalization is the reduction of
linguistic diversity and the oppression of the linguistic rights in different
countries. Every time a language disappears or it is put on the verge of
disappearing, it also disappears all that richness, all that diversity. The
linguistic contact leads to dependency situations as a consequence of the
competition among linguistic communities. Globalization narrows more and more
linguistic rights of citizens from nations without state and from many regions
in
The defence of linguistic
rights and linguistic normalization is closely related to civil movements work
and fight. It
binds more and more with this movement that it is rising up against
globalization and in favour of a new better world. Because,
inside this movement, they are fighting for the defence of linguistic diversity.
Meanwhile Neoliberal globalization condemns to death more and more languages.
The European construction
made by the plans of the European Constitution follows this globalization’s
logic. It is not taken into account the existence of oppressed linguistic rights
of nations without state and large regions. They have turned their back on the
rights and necessities of the citizens of these regions. On one side, the draft
of the constitution has been presented without giving the citizens any right to
discuss about it. So, it has been consequently developed in an imperative way.
It has been done completely against the democratic way, completely against the
participation of European citizens. This construction is being done following
the interest of the States. It is driven by the politic and economic interests
of them.
They are building in
front of our eyes the
The Constitution has big
sounding statements on languages and cultures, but it puts some over the others.
Some languages will be named official and the other will be considered second
class languages. There will another group that will not be considered even as a
language. Consequently it will be discriminatory.
We want to make a call to
those groups who seek the normalization of minorized languages for a better
world; civil movements, parties and trade-unions, just to work all together in
favour of the linguistic diversity. This diversity still exists nowadays in
We also demanded, the officially in the European Union of the languages Catalan,
Basque, Welsh, for any pourpose, the recognisance of the linguistic unity
Galego-Portuguese and the recognisance as national languages in their respective
communities. In this way, we defend the right of European citizenship of each
linguistic community so that relations with the European institutions are made
in their respective national languages, regardless where they are.
(Signed:)
EUSKAL
HERRIAN EUSKARAZ (Euskal Herria)
MOVIMENTO EN DEFENSA DA LINGUA, ASSOCIAÇÃO DE AMIZADE GALIZA-PORTUGAL,
ASSOCIAÇOM GALEGA DA LÍNGUA (Galiza)
CAL (Catalunya)
CIMUNED(Cymru/Wales)