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Portugal
diz estar perto de confirmar acordo ortográfico
Rio de Janeiro, 13 Dez (Lusa) - Portugal está perto de concluir o
processo de ratificação do Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa, disse nesta quarta-feira Maria Angélica Ribeiro,
representante do Ministério luso da Educação.
A coordenadora de Cooperação para o Desenvolvimento no
Gabinete de Assuntos Europeus e Relações Internacionais do
Ministério português da Educação disse faltar pouco
para Portugal cumprir todos os trâmites burocráticos.
"Só falta um passinho, é apenas uma questão política",
declarou à Lusa Maria Angélica Ribeiro, no Rio de Janeiro,
onde participa do Seminário Internacional de Língua Portuguesa e
suas Literaturas, que reúne representantes de todos os membros da
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O Acordo Ortográfico foi assinado em 1990 por Angola, Brasil,
Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé
e Príncipe (Timor Leste aderiu em 2004), mas não entrou em
vigor por não ter sido ratificado.
Em outubro de 2004, o Brasil informou que já estava apto a adotar
o Acordo Ortográfico, pois tinha cumprido todos os trâmites
legislativos internos necessários.
Na ocasião, o governo brasileiro instou Portugal e Cabo
Verde, que também já haviam ratificado o acordo, a cumprirem
igualmente as exigências internas constitucionais para que
haja uma ortografia comum da língua portuguesa.
De acordo com os estatutos da CPLP, o Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa entrará em vigor quando três países da
comunidade concluirem os trâmites internos para a ratificação
do acordo.
São Tomé e Príncipe anunciou nesta quarta-feira, no Rio
de Janeiro, que ratificou o Acordo Ortográfico, tornando-se o
quarto país a fazê-lo.
Discordâncias
Apesar das declarações da representante do Ministério
luso da Educação, fontes do Ministério da Educação
do Brasil disseram à Lusa que Portugal ainda não
tomou qualquer decisão concreta para o acordo vigorar na prática,
não só por uma questão política mas também económica.
"Na verdade, a questão é política e econômica,
porque as grandes editoras portuguesas vão ter que competir
com as brasileiras. Acredito que Portugal não tenha
interesse no Acordo, ao contrário do Brasil, que tem muito
interesse, pois as nossas editoras têm uma grande força no
mercado editorial", salientou a fonte do governo brasileiro.
O conselheiro cultural da Embaixada de Portugal e diretor do
Instituto Camões no Brasil, Adriano Jordão, que também
participa no Seminário Internacional de Língua Portuguesa no Rio
de Janeiro, discordou.
"Para as editoras portuguesas é bom que haja o Acordo Ortográfico,
que afeta muito mais as editoras brasileiras", afirmou
Adriano Jordão à Lusa, explicando que as alterações
ortográficas terão implicações na revisão
das publicações.
Jordão disse ser, pessoalmente, "cem por cento a
favor" do acordo, que vai facilitar a circulação de
livros num mercado ortográfico único com mais de 200 milhões
de pessoas mas destacou que "não é preciso urgência".
"Temos de ser cautelosos, acho que poderia ser uma ação
precipitada", destacou, lembrando que há pendências
jurídicas para que o acordo entre de fato em vigor.
Fruto de negociações conduzidas pela Academia Brasileira
de Letras e pela Academia das Ciências de Lisboa ao longo da
década de 1980, o acordo tem como principal objetivo resolver
questões relativas a divergências ortográficas.
Para o governo brasileiro, a existência de duas ortografias
oficiais da língua portuguesa é prejudicial à unidade do
idioma e dificulta a capacidade de difusão internacional do
português.
O Brasil considera a entrada em vigor do acordo como condição
essencial para a definição de uma política de promoção
e difusão da língua portuguesa, o terceiro idioma europeu
mais falado no mundo.
Diplomatas e linguistas brasileiros acreditam que uma ortografia
comum diminuirá o elevado custo de produção de diferentes
versões de dicionários e de livros em língua portuguesa e
facilitará a utilização de livros didáticos, programas
de educação à distância e outros materiais pedagógicos.
Outro argumento do Brasil é de que, com o acordo a ser aplicado
por todos os países da CPLP, será mais fácil estabelecer critérios
unificados para exames e certificados de língua portuguesa para
estrangeiros.
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