|
A maior parte da comunidade galega na Inglaterra concentra-se em
Londres, nos bairros mais centrais (Victoria, Hammersmith,
Portobello...). Tem-se calculado entre 10.000 (nos anos 70 do século
passado) e 20.000 emigrantes, mas é impossível dar um número preciso,
pois para o consulado espanhol só existem as cifras dos cidadãos
espanhóis residentes num país da União Europeia, e nada sabe da
chamada “Lei de galeguidade”. (Além disso, como
considerar os filhos de galegos nados aqui? Para o Estado Espanhol
são espanhóis se o pai é espanhol, mas não se só a mãe
é espanhola.)
Começou a chegar sobretudo a partir dos
anos 1950, quando o mercado laboral britânico do após-guerra precisava
absorver mão de obra barata para trabalhos que tendia a rejeitar
o operário inglês mas aceitava o galego (ou o antilhano):
hostelaria, hospitais, serviço doméstico, etc.; e em condições
cívicas mínimas ou inexistentes: sem segurança social, sem permisso
de trabalho ou até totalmente ilegais. Hoje está bem integrada e
estabilizada no país, com um certo envelhecimento, isso sim, e desfruta
de certa soada de solidez e responsabilidade social diante das
autoridades britânicas (p.ex. a polícia), que nunca têm tido
queixa dos “galegos de Londres”.
Abunda o nome “Galicia” em
estabelecimentos comerciais galegos: Galicia Motor Services, Galicia
Wines, Galicia Restaurant, Galicia Delicatessen, etc.; ou outros topónimos
afins: Meson Coruña, Carniceria Coruña, Vigo Galleries,
Vigo Press Ltd., restaurante Rias Baixas, Breogan Removals, etc. (Também
existem desde há muito tempo topónimos galegos nas ruas londrinas:
Corunna Road, Corunna Terrace, Vigo Street. O nome de Santiago está
refletido doutro jeito: sob o apelativo de “The Court of Saint
James’s”, que é o nome oficial da Corte Real britânica, e
em St. James’s Palace, residência do herdeiro da Coroa; também
em St. James’s St. e mais nos numerosos topónimos ingleses que o
incorporaram na época em que tinha importância para os peregrinos
ingleses o chamado “Caminho Inglês” a Santiago, por
mar desde um porto inglês do sul e por terra desde o norte da
Galiza; assim: Berwick St. James e outros, desde que o popularizara no século
XII a Rainha Matilda, filha de Henrique I.)
Tem um Centro Galego, fundado no 1967,
que é o decano dos centros de emigrantes do EE na Inglaterra, e que
chegou a ter 800 sócios nos seus melhores tempos, com o seu local próprio,
embora modesto, e com atividades culturais diversas: o Dia da Pátria, o
Dia das Letras Galegas, uma Comissão Cultural que tem participado
nos preparativos do Ano Jacobeu; inclusive chegou a fazer edições
próprias de livros e revistas. Tem o seu Grupo de Gaitas e Danças
e o seu Clube Desportivo de futebol.
Também existiram em tempos o Grupo de Trabalho Galego de Londres e
mailo Seminário de Estudos Galegos de Londres, e funcionam hoje Centros
de Estudos Galegos nas universidades de Oxford e de Birmingham. A
emissora da BBC tinha depois da guerra uma emissão galega, na que
colaboravam muitos “galeguistas históricos” do interior,
como Otero Pedrayo, Florentino Cuevillas ou Plácido Castro; na seção
espanhola colaboravam outros, como Salvador de Madariaga ou V. Paz
Andrade. Anos depois veio morar a Londres o ilustre poeta e
professor galego Ernesto Guerra da Cal, exilado desde a guerra civil
espanhola, em cujo lar tínhamos uma cálida acolhida os mais novos, e
que foi o derradeiro duma brilhante presença galega na Inglaterra que
inclui nos nossos tempos os escritores Rafael Dieste e Ricardo Palmás,
e outrora o famoso Conde de Gondomar, D. Diogo Sarmento da Cunha, que
fora embaixador na “Corte de Santiago” e que desde ali
escrevia em galego às suas amizades na terra natal.
|